8 práticas que podem acabar com seu caminhão

práticas que podem acabar com seu caminhão

A vida útil de um caminhão depende de muitos fatores. Seu uso, desde o momento em que é adquirido, deve ser levado em consideração quando pensamos em quanto tempo o veículo vai durar. Além de cuidados em seguir as orientações do fabricante, é importante que os estradeiros se preocupem com práticas que podem acabar com seu caminhão e diminuir sua vida útil. Saiba também quais são as tecnologias que seu caminhão não precisa mais.

Confira a lista de práticas que podem acabar com seu caminhão:

1. Falta de manutenção preventiva

maneiras de estragar o caminhão

Muitos estradeiros só procuram o mecânico quando o caminhão começa a apresentar problemas. Fazer isso muitas vezes aumenta os custos do conserto e coloca em risco a segurança do motorista. É preciso focar na manutenção preventiva, antes do caminhão apresentar problemas, ao invés da corretiva, que pode custar até 30% a mais. Por isso, a falta de manutenção preventiva é uma das maneiras de estragar o caminhão.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Scaringella Trânsito mostra que 30% dos acidentes urbanos e rodoviários no Brasil estão relacionados à falta de manutenção preventiva dos veículos. A conclusão é que a falta de manutenção triplica os riscos. De acordo com o estudo, 80% dos veículos em circulação no país tem algum tipo de problema como pneu careca, lanterna queimada, falta de seta, motores desregulados entre outros.

A manutenção preventiva já foi até assunto em um de nossos podcasts. Clique aqui e ouça o bate papo de Pedro Trucão e um mecânico que explica o quão importante é revisão para a conservação do veículo.

 

2. Excesso de velocidade

Dirigir rápido também é uma das maneiras de estragar seu caminhão e não só vai resultar em uma multa, mas em maiores gastos com gasolina. Ao forçar seu motor aos extremos, ele funcionará em uma temperatura mais alta, em uma rotação maior e, consequentemente, terá um desgaste mais rápido.

Mesmo motores mais modernos e feitos para maiores velocidades podem sofrer com o aumento da temperatura. É melhor para o veículo que você mantenha sempre uma velocidade estável, sem chegar aos limites do caminhão.

 

3. Excesso de peso no caminhão

maneiras de estragar o caminhão

Luciano Garcia, gerente de serviços e assistência técnica da MAN América Latina, explica que o excesso de peso, além dos limites de projeto e legislação, afeta a vida útil do veículo como um todo e aumenta os custos de manutenção. Os conjuntos de suspensão, direção e freios são normalmente aqueles que acusam de forma prematura o excesso de peso, mas não sem prejuízo à durabilidade de motor, transmissão e eixos de tração.

Ainda segundo Garcia, a distribuição errada de carga e o excesso de peso, além da redução de vida útil de componentes mencionada, pode trazer riscos à própria segurança do veículo em situações de frenagem ou mudança de direção  bruscas, além do impacto no consumo de combustível e desgaste excessivo  ou irregular de pneus.

O excesso de peso também prejudica as estradas, provocando a degradação prematura das vias, causando ruptura da estrutura e o surgimento de buracos e fissuras, que no fechamento do ciclo vicioso, danificam o caminhão e se refletem em aumento de custos ao proprietário.

 

4. Andar com pneus com baixa pressão

maneiras de estragar o caminhão

Dirigir por aí com a pressão dos pneus abaixo do recomendado sobrecarrega o sistema de direção, além de aumentar o consumo de combustível do veículo. A pressão abaixo da recomendada é uma das maneiras de estragar seu caminhão pois aumenta significativamente a resistência à rodagem dos pneus. Segundo a Michelin, uma pressão de 20% abaixo da recomendada aumenta o consumo em 1,7% no transporte de longa distância.

Além aumentar os gastos com o caminhão, a pressão baixa nos pneus causa maior fadiga da carcaça, o que gera desgaste prematuro e muitas vezes impossibilita a recapagem. Já a pressão alta pode ocasionar uma menor aderência do pneu ao chão. Em ambos os casos, a segurança do veículo e do motorista fica em risco.

Por isso, é importante ter o hábito de verificar a pressão dos pneus . Pneus perdem pressão naturalmente e precisam ser inflados para a pressão ideal. A melhor hora para calibrar os pneus é quando eles estiverem frios, que geralmente é de manhã, dependendo da rotina do estradeiro. Para uma boa conservação dos pneus, é indicado calibrá-los quinzenalmente.

 

5. Lavagem inadequada do tanque de combustível

maneiras de estragar o caminhão

É importante sempre observar os sinais que o caminhão dá quando está precisando de cuidados. Se o motor do seu caminhão está falhando e perdendo potência, pode ser que ele precise de uma limpeza. Porém, é preciso fazê-la de maneira adequada. De preferência, a lavagem deve ser feita por um profissional, para evitar problemas com a remontagem do tanque.

É importante saber também que nunca a lavagem de tanque pode ser feita utilizando água e sabão, pois os dois são contaminantes para o diesel e qualquer resquício de água ou sabão pode desencadear um novo processo de contaminação. Da mesma forma também pode ser feita a limpeza das mangueiras e filtros presentes no tanque de combustível, mas não se esqueça: utilize apenas diesel para essa lavagem. Após a limpeza, descarte o combustível usado.

 

6. Passar por estradas difíceis

De acordo com Alexandre Capelli, engenheiro da Iveco, a vibração que pistas ou terrenos irregulares impõem no caminhão geram esforços elevados em praticamente todos os componentes do veículo. Estes esforços reduzem a vida útil dos componentes, normalmente levando a falha ou desgaste prematuros. As partes mais afetadas, de forma geral, são os componentes de suspensão – eixos, molas, amortecedores, cubos e rolamentos, suportes – mas chassi e outros elementos estruturais também podem ser comprometidos. As baterias também podem sofrer deterioração acelerada em função da vibração excessiva.

“Para evitar danos no caminhão, é fundamental garantir que os pneus estejam com a calibração correta para a carga transportada. Outro ponto é evitar frenagens ou esterçamento bruscos, principalmente nos obstáculos ou trechos mais irregulares; a condução deve ser a mais fluida e regular possível, com manobras graduais e progressivas. Também vale a pena reduzir um pouco a velocidade neste tipo de terreno ou pista – quanto maior a velocidade, mais severos os choques sofridos pelo veículo”, explica Capelli.

 

7. Arqueamento da traseira do caminhão

maneiras de estragar o caminhão

Arrebitar a traseira do caminhão além do permitido pode se tornar uma dor de cabeça para o estradeiro. Muitos o fazem por estética e chegam a gastar uma nota para arquear a traseira de seu caminhão, sem saber que, dependendo da altura, o motorista fica sujeito à multa. A Resolução 479 do Contran regulamentou o arqueamento da traseira dos caminhões para até dois graus de inclinação a partir de uma linha horizontal. Essa altura de dois graus depende do modelo do caminhão, podendo variar 3,5 cm. Entenda mais sobre a lei assistindo a matéria no Pé na Estrada.

Especialistas da Mercedes Benz explicam que quando a traseira do veículo é levantanda, altera-se o centro de gravidade da carga, que se desloca para frente. Esse deslocamento favorece e facilita o arremesso (atirada) da carga para frente (ou em cima do motorista na cabina), ou o seu escorregamento em uma frenagem brusca.

Os principais danos causados ao caminhão são desgaste prematuro dos componentes da suspensão, tanto da dianteira, como da traseira, além de problemas no eixo traseiro, já que o ângulo de funcionamento foi alterado e também dos freios. O arqueamento da traseira também muda a altura do para-choque, fazendo com que este perca sua função.

 

8. Produtos piratas

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Quais são os riscos e prejuízos que o uso de peças falsificadas pode trazer ao motorista? Muitos. Antes de tudo, o uso de peças impróprias fere o Artigo 21, Seção III, Capitulo IV, Título I, do Código de Defesa do Consumidor, que obriga o fornecedor a usar componentes de reposição adequados, que mantenham as especificações técnicas do fabricante. 

Segundo Jefferson Silvestre, gerente industrial da Platodiesel, empresa especializada em peças automotivas, a utilização de peças que não estão de acordo com a legislação é perigosa pois não se sabe sua procedência, quem as fabricou e se elas seguem as normas do órgãos reguladores. “O desempenho desse tipo de peça é bem inferior ao de peças autorizadas e sua duração no veículo também é reduzida quando comparada à peças que estão de acordo com a legislação”, ele explica. Além disso, o uso de peças piratas traz risco à segurança do veículo e do motorista, visto que esse tipo de peça não passa por nenhum órgão regulador. Usar uma peça pirata pode fazer o motorista economizar no curto prazo, mas no final a conta pode sair cara.

E você que é estradeiro, possui algum desses hábitos? Conhece outra prática que pode estragar o caminhão e diminuir sua vida útil? Conte pra gente.

Por Pietra Alcântara

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