Alexandre Martins Simões

Texto 9
O PROFISSIONAL
Formei em uma instituição de renome que, entre seus alunos mais ilustres temos um ex. presidente e o primeiro astronauta brasileiro. Assim, como todo jovem recém-formado estava cheio de garra para conquistar um espaço no mercado de trabalho. Porém, sem muito planejamento. Os tropeços não tardaram a acontecer, me sentia como um passageiro de um barco a deriva; sem saber onde ia chegar. Como consequência, as portas da indústria metalúrgica logo se fecharam para mim.
Ainda desnorteado, com a carteira de habilitação na mão comecei a trabalhar de motoboy, por falta de opção. Dei foi muito trabalho para o meu anjo da guarda, foram inúmero acidentes e várias vezes escapei por um triz.
Apesar do começo desastroso, a carreira de motoboy acabou com um saldo positivo, o conhecimento adquirido neste período ajudou bastante com a nova profissão. Motorista.
A mudança demorou em acontecer, foi depois de anos como motoboy. Entregando de tudo, em qualquer lugar e a qualquer hora.
Na última empresa que estava de motoboy, vi a oportunidade de mudar de profissão, mas tinha uma pedra no caminho, um gerente linha dura que me disse NÃO varias vezes. Depois de já estar conformado com as diversas recusas em ser promovido, fui chamado e para a minha surpresa fui convidado à promoção tão desejada. Minha vontade inicial foi devolver todos aqueles nãos ouvidos ao longo do tempo. No entanto, já era um homem com certa experiência e tinha aprendido um pouco com os tombos do passado. Respirei fundo e aceitei a nova função.
Função que é o sonho de muitas pessoas: conhecer uma fábrica de automóveis, por dentro. Trabalhava levando componentes elétricos, direto para a linha de montagem. Tendo assim a oportunidade de ver a montagem dos carros em todas as etapas.
Mas a busca pelo novo, por melhores condições de vida, continua e logo mudo de emprego. Agora trabalhando perto de casa, de segunda a sexta. Dirigindo caminhão de entrega dentro da cidade. Parecia que a busca tinha terminado, mas não terminou! Tempos depois recebi um convite para trabalhar fazendo entregas pelo o interior do estado, ganhando bem mais. Convencer a noiva foi duro. Mas ela acabou concordando. Agora era um caminhoneiro, cortando as estradas dessas Minas Gerais. Na estrada aprendi mais da vida, conheci lugares, pessoas, passei por apuros. Porém a saudade de casa era tanta, que aumentava ás distâncias das minhas viagens, principalmente depois do casamento, a vontade de estar perto da esposa era enorme. Com o nascimento da minha filha a saudade passou a ser insuportável.
Lutando contra a viva dura das estradas e a distância da família, apareceram os primeiros sintomas de uma crise de stress. Me tratei, e continuei na estrada. Ao perceber os sintomas voltando, tempos depois, não quis mais continuar no emprego, no qual estava aprendendo a superar meus limites, a buscar soluções rápidas para situação complicadas. Simplesmente saí, sem outro emprego em vista.

Como a vida não para, em pouco tempo já estava de emprego de novo. Agora como motorista de ônibus rodoviário, ainda na estrada, porém mais próximo da família. Logo adaptei a nova profissão, com mais cobranças, no entanto, mais tranquilo em relação ao emprego anterior. Tempos depois com a situação profissional consolidada e estabilizada, aconteceu a mudança mais radical.
Recebi um telegrama de uma rede de hospitais, para assumir a vaga do processo seletivo que havia participado há uma década. Mais uma vez meti os pés pelas mãos. Sem colocar na balança os prós e os contras mudei de emprego novamente. A vaga era pra outro estado, o salário não pagava nem os gastos da mudança.
Graças a Deus, esta mudança foi a que durou menos. Dois meses depois; por ironia do destino, no feriado de Nossa Senhora Aparecida, que recebia a visita da minha 24família; fui desligado da rede sem nenhum motivo, simplesmente me comunicaram que não tinha o perfil do hospital. Assim, a visita acabou virando um resgate daquela situação insustentável.
Um mês depois do retorno para casa, um novo emprego. Em uma empresa do mesmo ramo e na mesma função da outra que tinha saído para aquela aventura na cidade “maravilhosa’’”. Logo estava ambientado no novo emprego, o tempo foi passando e cada dia me sentia seguro profissionalmente. As dificuldades iam surgindo e rapidamente sendo superadas.
Em um descuido cai em mais uma armadilha do destino, o que vêm provar, por mais experientes que somos ainda não nos conhecemos totalmente. Me colocaram para trabalhar fixo numa linha que rodava de vez em quanto, mas conhecia bem como funcionava. Sabia que a pressão era muita e os resultados não dependia só de mim, dependia de outros funcionários, nem sempre comprometidos com suas responsabilidades. Tentei suprir as falhas do sistema, me dedicando ainda mais. Passando dos meus limites, mas os resultados não apareciam como eu gostaria.
Por estas e outras, não aguentei a pressão. Mesmo alertado por familiares, tentei seguir em frente, e ainda pior, sem ajuda. Deu no que deu, entrei numa grave crise de Stress. Hoje com a benção de Deus, estou me tratando, me recuperando. Mais alerta do nunca, lembrando: somos uma pequena engrenagem com funções limitadas de uma grande maquina. Não devemos tentar suprir as falhas de outras engrenagens defeituosas. Pois podemos quebrar e fazer falta para quem realmente somos importantes. Nossas famílias.

Alexandre Martins.

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