sábado, outubro 24, 2020
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Acidentes fatais: o perigo das rodovias de má qualidade

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Buracos, ondulações, fissuras, trincas. Quem roda diariamente pelas estradas sabe: grande parte das rodovias do Brasil são conhecidas por sua má qualidade. Esses defeitos são encontrados em mais da metade das estradas pavimentadas brasileiras, segundo dados da CNT. Mas qual é o perigo das rodovias de má qualidade?

rodovias de ma qualidade

As condições da infraestrutura das vias têm relação direta com a segurança. De acordo com o Anuário CNT do Transporte, em 2017 foram registrados 89.396 acidentes em rodovias, número que representa queda de 7% em relação ao número de acidentes em 2016. Apesar da redução, a quantidade de acidentes ainda é grande: são mais de 200 por dia.

As regiões do Brasil com as piores rodovias são o Norte e o Nordeste. São também as regiões com maior número de mortos nos acidentes de trânsito. Só o Nordeste concentra 32,2% das mortes por acidente em 2017.

Já a região Norte é a que apresenta o pior índice de sinalização do país. Dos 12.863 km analisados, 80,4% foram considerados regular, ruim ou péssimo.

Veja também: O que fazer ao presenciar um acidente na estrada?

 

Malha rodoviária

Responsável pela movimentação de mais de 60% das mercadorias e de mais de 90% dos passageiros, o transporte rodoviário depende diretamente das estradas. No entanto, apenas 12,4% da malha rodoviária é pavimentada. A frota, por sua vez, aumentou 63,6% no período de 2009 a 2017, chegando a quase 100 milhões de veículos em circulação no Brasil.

Outros números demonstram o tamanho do problema das rodovias de má qualidade. A maior parte das rodovias pavimentadas, cerca de 92,7%, é de pista simples. 61,8% das vias analisadas pela CNT apresentam algum tipo de problema sendo classificadas como regular, ruim ou péssima.

O pavimento apresenta problemas em metade dos trechos. Já a sinalização e a geometria da via têm classificação regular, ruim ou péssima, com índices de 59,2% e de 77,9%, respectivamente.

Outro estudo da CNT mostra que no Brasil as metodologias usadas para a pavimentação de rodovias estão ultrapassadas, quando comparadas aos métodos de construção e reparação de rodovias em outros países. Também há pouco investimento em obras e falha no gerenciamento, na fiscalização e na manutenção das estradas.

Veja também: Por que as rodovias pavimentadas no Brasil duram tão pouco?

 

Dessa forma, não é difícil encontrar notícias como essas:

Notícia do Pé na Estrada

Moradores de Sobradinho – BA reclamam que a camada do pavimento por lá é tão fina que pode até mesmo ser retirada com as mãos e que o asfalto derrete com o calor e gruda no sapato das pessoas. Apesar de ter o maior PIB da região, o município sofre com falta de pavimentação nas vias, problema que motivou as autoridades a começarem obras em fevereiro de 2017.

De acordo com o técnico em edificações Carlito Souza Nunes, o novo asfalto de Sobradinho não atende às normas do DNIT, responsável pela regulamentação da Infraestrutura de Transportes Nacional.

 

Notícia do Pé na Estrada

Os trechos mineiros da BR 251 já têm até apelido: rodovia da morte. Um acidente ocorrido em julho na Serra de Francisco de Sá – MG, envolveu 11 veículos, 64 vítimas e foi o estopim para que a própria população da região resolvesse se manifestar contra o atraso das obras e pedir soluções ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Outro trecho que preocupa motoristas é o que liga as cidades de Montes Claros e Salinas, em Minas Gerais, considerado um dos mais perigosos da BR 251. Segundo dados oficiais, circulam por ali aproximadamente 10 mil veículos por dia. O trecho é traiçoeiro, cheio de curvas e estradeiros reclamam do asfalto, que é muito liso, facilitando acidentes. Outra reclamação é quanto à falta de sinalização.

 

Notícia do G1

O acidente em que a carreta invadiu as casas, destruindo a garagem de uma delas, não teve nenhum ferido. O motorista da carreta disse aos bombeiros que tentava subir a rua quando o pneu perdeu atrito. O veículo começou a voltar pela rua e acabou colidindo com as residências.

 

O que uma rodovia precisa?

Para Valter Luiz Vendramin, diretor técnico da Absev (Associação Brasileira de Segurança Viária), uma rodovia tem que contar com toda uma estrutura para que possa ser considerada adequada aos usuários.

Na visão dele, é inconcebível uma via ser aberta para os condutores sem que esteja plenamente sinalizada. “Para que uma rodovia seja inaugurada, ela deve estar completa. Para que ela seja considerada pronta, a sinalização é parte vital do processo. É necessário planejamento, mas, para isso, é preciso diminuir a burocracia e aumentar os investimentos. Se nada for feito, os índices de acidentes só irão aumentar.”

Em 2017, os mais de 89 mil acidentes rodoviários resultaram em um custo de R$ 11,19 bilhões para o país. O valor é superior ao investimento feito em rodovias em todo o ano passado, que foi de R$ 7,9 bilhões.

No levantamento realizado pela CNT, também foi verificada a existência de pelo menos uma curva perigosa a cada 30.487 km e, em 49,6% dessa extensão, não foram identificadas placas de advertência e nem defensas completas. 

O gerente técnico do ONSV (Observatório Nacional de Segurança Viária), Renato Campestrini, destaca que é certo que ações de vândalos e acidentes contribuem para que a sinalização vertical se mostre deficiente.  No caso da horizontal, ele afirma que somente o fluxo elevado de veículos a desgasta e, portanto, é desejável que as pinturas sejam revitalizadas frequentemente. As informações são da NTC & Logística.

 

E agora?

Como motorista ou profissional do transporte, sua segurança e seu sustento dependem diretamente da qualidade das rodovias – que abrange pavimento, sinalização e policiamento. Existem algumas atitudes que podem ajudar o motorista que depende de rodovias de má qualidade:

  • Direção segura

direcao_segura

É direito do motorista exigir melhorias nas estradas. Mas para isso, ele também precisa fazer sua parte. Isso inclui obedecer as leis de trânsito – que vão desde a categoria correta para dirigir cada tipo de veículo, dispositivos de segurança para determinado tipo de carreta, até obedecer a sinalização.

Se você percebeu que o pavimento do trecho é muito liso, evite acelerar. Não faça ultrapassagens perigosas e esteja sempre atento aos veículos menores.

  • Excesso de peso

Essa questão envolve obedecer as leis de trânsito, mas como é uma prática comum, decidimos destacá-la. O excesso de peso só prejudica o motorista, uma vez que agora com a tabela mínima, o valor do frete é calculado a partir do tipo de carga, número de eixos do caminhão e distância a ser percorrida. Se a carga está acima do peso ou não, o valor do frete segue o mesmo.

Luciano Garcia, gerente de serviços e assistência técnica da MAN América Latina, explica que o excesso de peso afeta a vida útil do veículo como um todo e aumenta os custos de manutenção.

Ele explica que a prática também traz riscos à própria segurança do veículo em situações de frenagem ou mudança de direção  bruscas, além do impacto no consumo de combustível e desgaste excessivo ou irregular de pneus.

Além de tudo isso, carregar além do permitido prejudica as estradas provocando a degradação prematura das vias, causando ruptura da estrutura e o surgimento de buracos e fissuras. Assim, vira um ciclo vicioso: caminhão com excesso de peso destrói o pavimento, pavimento esburacado destrói o caminhão. Todos saem perdendo.

  • Boca no trombone

Se você é um motorista exemplar e cumpre todos os seus deveres, é hora de cobrar as autoridades. Por onde começar? Tudo depende do trecho que precisa de melhorias.

boca_no_trombone

É um trecho concessionado? Entre em contato com a empresa. Geralmente, o próprio website das concessionárias tem um espaço para enviar reclamações e comentários.

É um trecho municipal? Você pode procurar a Secretaria de Transportes do município.

É um trecho estadual? Procure Departamento de Estradas de Rodagem, ou DER do seu estado para fazer uma reclamação. Cada estado também tem um órgão regulador 

É um trecho federal? Procure o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o DNIT. Pedro Trucão falou sobre esse assunto lá no youtube, clique aqui para assistir.

Foi o que a população de Salinas – MG fez após constantes acidentes na BR 251, que cruza o estado. Fizeram abaixo assinado para enviar ao DNIT, foram atrás da mídia local e fizeram até uma manifestação na cidade. Conseguiram fazer uma reunião com o DNIT e com o Ministério dos Transportes.

A reunião girou entorno de uma ação na Justiça pedindo ao governo para liberar a verba necessária para efetuar essas correções em trechos específicos.

  • Eleições

Estamos em ano eleitoral, por isso essa é mais uma questão que merece a atenção do motorista. Você já escolheu um candidato? Busque saber quais são as propostas de investimento dos candidatos à presidência quanto à infraestrutura das estradas e segurança no trânsito.

Saber disso pode te ajudar a escolher alguém que, pelo menos em tese, vai contribuir para melhorias nas estradas.

 

As rodovias de má qualidade diminuem a segurança e contribuem para que aconteçam acidentes. Mas será que a culpa é só da qualidade da estrada? Nas próximas matérias, falaremos mais sobre isso.

 

Por Pietra Alcântara

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