Por Paula Toco

 

Semana passada a Mercedes-Benz mostrou, na Alemanha, um caminhão autônomo. Não é motorista autônomo? Não, é o caminhão mesmo que é autônomo. Ele pode dirigir pelo motorista. No geral, é como um avião. O motorista liga o caminhão, coloca-o na estrada e liga o “piloto automático”. Depois disso ele está livre para se dedicar a outras tarefas, pois se o caminhão precisar dele de novo, ele “chama”. É o Mercedes-Benz Future Truck 2025, que apesar do nome, já pode chegar ao mercado em 2020.

Através de diversas câmeras e sensores, o sistema inteligente do caminhão aumenta ou diminui a velocidade, troca de faixa, freia, vai pro acostamento, ou toma qualquer outra ação que seja necessária. Enquanto isso, o motorista pode mover seu banco para trás e girar 45 graus, para ficar em uma posição mais confortável e cuidar de outros assuntos, como os gastos da viagem, os agendamentos de descargas, etc.

O motorista continua como peça chave do sistema, pois antes de fazer as manobras, o caminhão avisa para o motorista e ele pode, a qualquer momento, retomar o controle do veículo. Mas o estresse e o cansaço são muito menores ao fim do dia. Pelo menos esse é um dos objetivos do projeto. Outro ponto positivo é a segurança. Como as pesquisas apontam o fator humano como responsável por 90% dos acidentes, um caminhão com piloto automático seria mais seguro e também econômico.

O Future Truck 2025 chegou fazendo barulho no mercado (veja o vídeo de apresentação resumido aqui ou a versão integral em inglês aqui) e de fato já está com cara de produto acabado, mas muitas outras empresas também trabalham com conceitos similares, a maioria em protótipos ainda.

No Japão, um projeto da New Energy and Industrial Technology Development Organization (NEDO), desenvolveu um sistema capaz de colocar uma série de caminhões (4) em comboio com apenas um motorista, no primeiro veículo. Os demais funcionam como “vagões de trem”, que vão copiando as ações do primeiro (veja o vídeo). A organização também trabalha um modelo de caminhão totalmente sem motorista (veja o vídeo).

Já no modelo da Volvo, o caminhão serve de “locomotiva” e os carros são os “vagões”. O motorista do carro pede “permissão”, via sistema, para o motorista do caminhão. Quando o caminhoneiro permite, o carro entra no comboio e ai o motorista do carro pode relaxar, porque o veículo seguirá os comandos do caminhão. Quando o veículo quiser sair do comboio, é só ele se desligar do sistema. (veja o vídeo)

Esses sistemas de comboios são boas ferramentas para economizar combustível, já que o vácuo do outro veículo diminui a resistência do ar e com isso o veículo precisa gastar menos combustível para vencer as distâncias.

Outro exemplo famoso, desta vez de carro, é o Google Self-Driving Car (algo como: Carro auto dirigível do Google), que está sendo testado em Mountain View, na Califórnia, EUA, onde fica a sede da empresa. O carro também faz tudo sozinho, para no semáforo, reconhece o gesto do ciclista, faz conversões. Tudo sem que um humano tenha que tocar no volante ou no câmbio. (veja vídeo)

E tem até projeto nacional. Em São Carlos/SP, o pessoal da USP está trabalhando no projeto CARINA (Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma). O sistema usa câmeras, radares e GPS para fazer a navegação. Um dos objetivos do grupo é que o carro possa ser compartilhado. Por exemplo, se você usa o carro para ir até sua casa. Quando chega lá, o carro fica parado, sem uso. Mas se o carro não precisar de motorista, ele pode sair sozinho da sua casa e ir buscar um outro familiar, por exemplo, no trabalho dele. Ou seja, não precisaríamos ter tantos carros. (veja o vídeo, em português)

Só que todos esses projetos esbarram em um fator importante, a legislação. Onde, no mundo, é possível ter carros sem motoristas? Difícil. Alguns locais dão licenças especiais para teste (como foi em São Carlos, para os testes do carro acima), mas a maioria dos países proíbe a circulação de veículos autônomos. Aos poucos isso também deve mudar, e talvez o primeiro local seja a Holanda. Isso porque a ministra de infraestrutura do país, Melanie Schultz van Haegen, afirmou que acredita que a “relação entre veículo e motorista deve mudar mais nos próximos vinte anos que nos últimos cem” e ela quer a Holanda na vanguarda desse movimento, por isso as leis que proíbem veículos sem motoristas devem começar a mudar a partir do ano que vem. (veja matéria completa aqui)

Seja na Holanda ou em outro lugar, seja em 2020 ou um pouco depois, o fato é que estamos prestes a ver uma grande mudança no setor automotivo e o motorista profissional tem que ficar antenado e ir se adaptando às mudanças, porque elas virão. Entretanto, ainda não deve ser desta vez que os caminhoneiros sairão de cena, mas quem ficar tem que estar capacitado para lidar com as novas tecnologias.

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