Como será o transporte no futuro? Aposto que você já se pegou imaginando como nos movimentaremos daqui a alguns anos. Filmes e desenhos também tentaram imaginar. Lembra dos Jetsons? Aquela família simpática criada na década de 1960 que vivia no futuro? Eles já previam que o transporte de pessoas no futuro teria dois grandes problemas:

  • trânsito: que eles resolveram com carros voadores
  • falta de local para estacionar: que eles resolveram apertando um botão do carro que o transformava em uma pasta de trabalho.

(Se você quiser ver as soluções deles, veja a abertura do desenho, mas também pode pular direto para o próximo parágrafo.)

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Os dois problemas existem, mas a tecnologia seguiu um caminho totalmente diferente. Sabemos que o carro, voador ou não, não é a solução mais sustentável e é aí que entra o BRT, o transporte rápido por ônibus, ou Bus Rapid Transit.

Quem quer andar de ônibus?

Ninguém. A verdade é que as pessoas usam ônibus porque precisam. Mesmo na Europa, onde o transporte público é muito melhor que no Brasil, o ônibus não é utilizado por opção, e sim por falta dela. Segundo a Mercedes-Benz, 50% das rotas urbanas no mundo poderiam ser feitas por ônibus, mas apenas 15% o são de fato. E se as pessoas não querem andar de ônibus, são mais carros nas ruas. Mais carros é sinônimo de mais trânsito. E trânsito é sinônimo de estresse, poluição e perda de qualidade de vida (clique aqui e conheça o Ônibus do futuro da Mercedes-Benz).

A questão é que o problema tente a piorar. Isso porque, desde 2008, mais de 50% da população mundial vive em cidades. Esse número deve subir para 70% até 2050, segundo as Nações Unidas. Já existem hoje mais de mil cidades com mais de 500 mil habitantes ao redor do planeta. Como transportar tanta gente?

Quem gosta de andar assim?
Quem gosta de andar assim?

De carro não dá, ficaríamos presos em um trânsito eterno (ele já parece eterno na descida para a praia em uma véspera de feriado). A pé e de bicicleta seria possível cobrir distâncias menores. Então para grandes distâncias nos sobram trem, metrô e ônibus.

Quem quer dirigir o ônibus?

Pouca gente. Motorista de ônibus é uma das profissões que mais adoece, seja no Brasil ou na Alemanha. Nem no país europeu, onde a qualidade das vias e as condições de trabalho são exemplares, o motorista de ônibus escapa do estresse e cansaço. Essa profissão está entre as três que mais afastam trabalhadores por lá. Aqui não é diferente, segundo o Ministério do Trabalho.

Motorista de ônibus é uma das profissões que mais causa afastamentos
Motorista de ônibus é uma das profissões que mais causa afastamentos

Então por que apostar no BRT como a solução para o transporte de pessoas no futuro?

Como já vimos, não podemos contar com os carros para o transporte nos próximos anos. A UITP (União Internacional dos Transportes Públicos) fez o seguinte cálculo: Para transportar 10 mil pessoas por um quilômetro, seriam necessários 2 mil automóveis, que ocupariam mais ou menos 24 mil metros quadrados de espaço viário. Já com um ônibus urbano comum, de 12 metros de comprimento, seriam necessários 100 veículos, que ocupariam 3,2 mil metros quadrados. Agora se forem usados ônibus de alta capacidade, como os articulados que circulam no BRT, seriam 50 veículos, que ocupariam 3 mil metros quadrados. Ou seja, em 24 mil metros quadrados, caberiam 10 mil pessoas de carro, mas 80 mil pessoas em ônibus articulados.

Diferença da ocupação do espaço com carros e ônibus
Diferença da ocupação do espaço com carros e ônibus, por isso o BRT se desenha para ser o melhor meio de transporte de pessoas no futuro

Mas trens e metrôs não seriam melhores? Todos são meios de transportes de alta capacidade, ou seja, podem levar muitas pessoas ao mesmo tempo. Porém trens e metrôs têm implementação lenta e cara. Por isso mesmo o sistema BRT, tem se espalhado no mundo. A cidade de Estrasburgo/França, por exemplo, recentemente instalou uma linha de VLT (veículo leve sobre trilhos) e outra de BRT. O custo final por km ficou em 18,5 milhões de € no VLT e 4,7 milhões de € no BRT. Isso porque nenhum envolvia escavação de túneis, como é o caso do metrô.

Nós somos os Jetsons

A solução para o transporte de pessoas no futuro, para o planeta, já é história para nós. Vale lembrar que o BRT foi inventado no Brasil, na década de 1970, pelo então prefeito de Curitiba, o urbanista Jaime Lerner. A invenção virou caso de estudo no mundo todo. Vários países passaram a adotar o sistema. Infelizmente o Brasil não investiu em sua própria tecnologia e foi ultrapassado por outros países. Hoje são mais de 180 sistemas de BRT no mundo e nós estamos voltando a investir neles como saída para o trânsito caótico de nossas grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e outras.

BRT de ser a saída para transporte de pessoas no futuro
BRT deve ser a saída para transporte de pessoas no futuro

Como funciona?

O BRT funciona de forma diferente em cada país, mas existe mais ou menos um padrão para países desenvolvidos e para subdesenvolvidos ou muito populosos. Em países da Europa e América do Norte, o BRT tem uma capacidade média de transporte, menos de 3 mil passageiros/hora/sentido. Ônibus em intervalos regulares e infraestrutura de acordo com a necessidade de cada local. Já na América Latina, Ásia, África do Sul e Istanbul o sistema é de alta capacidade, ou seja, mais de 3 mil passageiros/hora/sentido, com intervalos rápidos entre os ônibus (de 1 a 3 minutos) e com infraestrutura padrão, com faixas exclusivas.

BRT em Istanbul é um dos exemplos de alta capacidade de movimentação de pessoas
BRT em Istanbul é um dos exemplos de alta capacidade de movimentação de pessoas

Para acelerar ainda mais o processo, nos BRT de alta capacidade a passagem geralmente é paga fora do ônibus. Dessa forma o motorista não se preocupa com isso, diferentemente da Irlanda, por exemplo, onde o próprio condutor faz a cobrança na entrada do passageiro. Pagar a passagem antes também acelera a entrada e saída do veículo.

Mais qualidade para passageiros e motorista

Todas essas características permitem que os passageiros façam uma viagem bem mais rápida e confortável. Esse é o objetivo principal do BRT. Mas o motorista também se beneficia muito do sistema. Como não pega trânsito, as viagens não atrasam, aí sobra mais tempo para o motorista curtir sua vida. O estresse diminui, não só pela falta de trânsito, mas pela maior calma dos passageiros. O desgaste físico do condutor também é menor, principalmente se o veículo for automatizado.

Conhecemos o sistema que está sendo implementado no Rio de Janeiro e conversamos com um motorista da linha, que já dirigiu ônibus urbano comum e nos fez uma comparação.

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Não é por acaso que a Mercedes-Benz apostou nesse sistema para apresentar o Future Bus, o Ônibus do Futuro. Descubra o que ele nos reserva clicando aqui. E você, como acha que será o transporte de pessoas no futuro?

Por Paula Toco

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