Desde julho, a Petrobras adota uma nova política de preços que permite à empresa realizar ajustes diários nos valores de venda dos combustíveis das refinarias às distribuidoras. Essas alterações constantes estão causando impactos ao setor de transporte e, logo, ao estradeiros, seja ele autônomo ou não.

Com a nova variação, anunciada ontem (26) e passando a vigorar hoje, o diesel teve aumento no valor para as refinarias. Esse é o 5º aumento do diesel desde o dia 20 de dezembro – clique aqui e saiba mais. Também passa a valer hoje um recuo no preço da gasolina, que interrompe uma série de três altas consecutivas, iniciadas após o dia 20. Com o novo reajuste anunciado, o custo operacional do transportador aumentará ainda mais.

Conforme a Sondagem Expectativas Econômicas do Transportador 2017, 84,2% das empresas de transporte não concordam com essa política e 87,5% não perceberam, após a vigência da nova regra, queda nos preços dos combustíveis.

A Petrobras argumenta que a possibilidade de realizar ajustes nos preços a qualquer momento permite que as flutuações do câmbio e do preço do petróleo no mercado mundial sejam repassadas com maior rapidez. Conforme a empresa, isso garante “maior aderência dos preços do mercado doméstico ao mercado internacional no curto prazo e possibilita à companhia competir de maneira mais ágil e eficiente”.

Petrobras discute nova política de preços

Nesse mês, no dia 15/12, houve uma reunião na Petrobras para tratar da política de aumento do preço dos combustíveis, contando a presença de representantes da NTC&Logística. Na ocasião, eles apresentaram os argumentos da entidade, com relação aos impactos que essa política vem trazendo para o setor e defenderam prazos maiores para os reajustes, também considerando a possibilidade de um gatilho mínimo.

A Petrobras se posicionou com os seguintes argumentos:

  1. As outras Distribuidoras importam diretamente 30% do diesel comercializado aqui, sendo metade desse volume diretamente e metade através de tradings;
  2. Para composição do preço estabelecido pela Petrobrás consideram o custo do mercado internacional, acrescido do frete, impostos, estadia do navio e transporte até bases no Brasil;
  3. Não podem trabalhar com preço superior ao que praticam as outras Distribuidoras, pois estavam perdendo quase 40% do mercado nacional. Acompanham a variação diária de mercado, que cria essa forma instável e predatória para o TRC;
  4. Também não podem segurar os preços abaixo das outras Distribuidoras, pois são denunciadas no CADE e ANP por estarem praticando dumping.

A empresa ainda sugeriu negociações com as Distribuidoras, para que haja uma estabilização de preços.

De acordo com o presidente da NTC&Logística, José Hélio Fernandes, essa política nunca foi praticada antes e nem por isso a Petrobrás e as demais distribuidoras deixaram de ser lucrativas. Sendo assim, ele entende ser possível uma política de reajustes que não inviabilize o transportes rodoviário de cargas. Os representantes da Petrobrás julgaram pertinentes os argumentos colocados pela NTC e definiram a realização de novas reuniões para juntos buscarem uma forma de reduzir os impactos dos reajustes para o TRC.

E você, o que pensa sobre os reajustes do preço do diesel e a nova política da Petrobras?

Por Pietra Alcântara com informações da CNT e NTC&Logística

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