Semana atrás voltamos ao passado e falamos dos primeiros caminhões do mundo (clique aqui se você não viu). Hoje vamos falar é do futuro. Como serão os caminhões em 5, 10 ou 20 anos? A Daimler, dona da marca Mercedes-Benz, aposta na conectividade. Isso mesmo, caminhões conectados uns aos outros e a tudo ao redor através da internet.

Esta semana a montadora apresentou um projeto piloto rodovia A52, perto de Düsseldorf, na Alemanha onde três caminhões semiautônomos andaram em comboio através da conectividade. Esse sistema foi chamado de Highway Pilot Connect (Conector de piloto de rodovia).

De acordo Wolfgang Bernhard, executivo da empresa, os caminhões da Daimler Trucks se conectam totalmente com seu meio ambiente, via Internet, enviando e recebendo informações continuamente. “Todos os envolvidos no processo de logística podem utilizar os dados em tempo real, de acordo com suas necessidades. No futuro, será possível, por exemplo, reduzir os tempos de espera enquanto ocorrem as operações de carga e descarga do veículo, diminuir a burocracia e evitar os congestionamentos. Com atualizações por download, o tempo de entrada de caminhões que estão indo para a oficina pode ser significativamente reduzido.”

A montadora calcula que cada veículo tenha 400 sensores emitindo informações e hoje 365 mil veículos da marca já estão conectados através do FleetBoard e Detoit Connect (a versão americana do sistema). Imagine que tipos de ideias o cruzamento de tudo isso pode gerar.

A Daimler acredita que o sistema pode ajudar a diminuir o número de viagens vazias, por exemplo, já que na Europa 25% de toda a quilometragem rodada por caminhões é sem carga. Outra possibilidade seria diminuir ou fugir do trânsito. Eles exemplificam: em 2015, os usuários das estradas alemãs enfrentaram cerca de 568.000 congestionamentos, o que se compara a um comprimento total de 1,1 milhão de quilômetros – com o consequente aumento no consumo de combustível e das emissões de CO2. No futuro, com a disponibilidade e intercâmbio de dados do trânsito em tempo real, os caminhões com sensores inteligentes evitarão colisões traseiras e poderão desviar de congestionamentos. Além disso, os tempos de paralisação dos veículos poderão ser reduzidos se o próprio caminhão reportar uma falha com suficiente antecedência e o pessoal de socorro puder agendar um serviço rapidamente.

O comboio

A experiência englobou três veículos que trafegaram em uma rodovia em meio a outros veículos. Os veículos conectados num comboio requerem uma distância de somente 15 em vez dos 50 metros de um comboio normal. Esta distância consideravelmente menor produz significativa redução no atrito aerodinâmico. Desse modo, um comboio de três caminhões pode atingir uma economia de combustível de cerca de 7%, reduzindo as emissões de CO2 na mesma medida.

Paralelamente, os comboios permitem um uso muito mais eficiente do espaço da estrada. Graças à menor distância entre os veículos, um grupo de três caminhões interligados tem um comprimento de somente 80 metros. Diferentemente disso, três caminhões que não estejam eletronicamente ligados requerem um total de 150 metros de espaço na estrada.

Os comboios também tornam o trânsito na estrada muito mais seguro. Enquanto um motorista ao volante tem um tempo de reação de 1,4 segundo, o Highway Pilot Connect transmite sinais de frenagem aos veículos que vêm atrás em menos de 0,1 segundo. Esse tempo de reação consideravelmente menor pode dar uma contribuição importante para a redução de colisões traseiras, como as que ocorrem, por exemplo, quando se encontra um congestionamento na estrada.

Durante o teste carros se colocaram entre os caminhões do comboio, mas quando isso acontecia, o sistema já identificava a interrupção retirando aquele veículo do grupo e voltando a colocá-lo quando o carro saia do meio.

O papel do motorista

Quase todo o trajeto foi feito de modo autônomo pelo caminhão, mas os motoristas continuam sendo parte importantíssima do trabalho. Quando o computador identifica situações mais complexas, ele chama o motorista para reassumir o controle (como pode ser visto no primeiro vídeo desta matéria). E isso não deve mudar tão cedo. Já que, mesmo na Europa, mais de 70% das cargas ainda rodam em caminhões e especialistas preveem que o volume de transporte rodoviário mundial triplique até 2050.

Agora, o que vai mudar é o perfil desse motorista, que também terá que se conectar e saber trabalhar com toda a tecnologia a sua disposição.

Ano passado, conectividade já tinha sido tema também da Volvo, relembre clicando aqui.

Por Paula Toco com informações da assessoria de imprensa

3 COMENTÁRIOS

  1. […] Dr. Wolfgang Bernhard, membro do Conselho de Administração da Daimler AG e responsável pela Daimler Trucks & Buses: “Anteriormente, os sistemas elétricos de propulsão tinham uso extremamente limitado em caminhões. Os custos, desempenho e tempo de carga se desenvolveram tão rapidamente que agora há uma inversão da tendência no setor da distribuição: a época é propícia para o caminhão elétrico. Nos caminhões leves para distribuição, nosso Fuso Canter E-Cell já tem sido testado intensivamente junto aos clientes desde 2014. E com o Mercedes-Benz Urban eTruck, estamos focando no segmento de distribuição pesada de até 26 toneladas. Pretendemos estabelecer a condução elétrica tão sistematicamente quanto a autônoma e a conectada.” […]

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