sábado, outubro 31, 2020
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Duplicação da Serra do Cafezal: o que mudou?

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No passado, o trecho da Serra do Cafezal, na BR 116 em São Paulo, era conhecido como “rodovia da morte”. O motivo? Altos índices de acidentes, congestionamentos de longa duração e assaltos assombravam motoristas que precisavam passar por ali.

Leia também: Projeto obriga duplicação de todas as rodovias federais em 10 anos

Entre 2010 e 2017, aconteceram 3.994 acidentes – quase 50 por mês – somente entre os kms 336 e 366 da rodovia. Pelos registros, em 2010 aconteceu o maior número ocorrências, com 502 registros no total.

Hoje, os números de acidentes reduziram, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal. Em 2018, um ano após a conclusão da obra, houve redução acima de 40% dos acidentes e de 50% no número de vítimas.

Mas qual a experiência de quem trafega por ali com frequência? Conversamos com alguns estradeiros que rodam pela Serra do Cafezal para saber a opinião deles.

 

O que dizem os motoristas

Mas o que mais preocupa os estradeiros que por ali rodam não são os acidentes. O caminhoneiro Alexandre Lazari Del Magro, 32, conta que teme mais os assaltos na região do que os acidentes.

“Depois da duplicação, ficou tranqüilo de rodar. Tem menos acidentes, porque o trecho da serra já não tem tantos buracos como antes. O perigo mesmo é ser saqueado. Não importa a carga, quando um caminhão quebra, sempre aparece alguém para saquear”, opina.

O saque, apesar de ser comum, é crime. De acordo com o artigo 155 do Código Penal Brasileiro (CP), o saque é caracterizado como furto, com pena de seis meses a seis anos e multa. Mesmo que a carga seja despejada na via por acidente, por se tratar de uma mercadoria que pertence a alguém, apropriar-se dela é considerado crime.

Muitas vezes, cargas são saqueadas para serem revendidas. Neste caso, além da receptação, comprar um produto sabendo que ele é resultado de um saque também é crime. Segundo o artigo 180 do Código Penal, “adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime” é crime, com pena um a quatro anos de reclusão e multa. Saiba mais na matéria Logística do roubo de cargas é mais eficiente que de muitas empresas.

Já o motorista Tiago Pereira d’Ávila, 40, destaca que com a melhoria do trecho após a duplicação finalizada em 2017, para ele os acidentes também diminuíram. Ele ainda fala sobre a administração da Arteris, concessionária da BR 116 no trecho da duplicação: “Eles prestam assistência, acho que tá valendo. O trecho melhorou bastante depois das obras, tem bem menos acidentes então com isso os roubos diminuem. Ainda acontece, mas é menos”.

Já para os amigos Paulo Ricardo Bork, 35, e Adilson Lubke Macedo, 37, não existe lugar tranquilo. Para eles, a Serra do Cafezal é melhor para descer com o caminhão, devido às obras recentes de duplicação. Já a Serra do Azeite, em Cajati/SO, que tem duplicação mais antiga, tem mais buracos.

“Se tem mais buraco, tem mais acidentes e aí tem perigo de assalto. Mas a verdade é que nenhum lugar é tranquilo, não dá para vacilar nem na Serra do Cafezal, nem na Serra do Azeite. Às vezes nem no estacionamento do posto”, desabafa Paulo.

O caminhoneiro também destaca, em contrapartida, que o fato das obras na Serra do Cafezal serem mais recentes faz com que muitos motoristas se sintam confiantes para descer a serra em alta velocidade. “Acidente por causa do asfalto é mais difícil de acontecer, depois dessa duplicação. Mas ainda tem muita imprudência e, porque a pista é boa, o pessoal acha que pode abusar”, opina.

 

Por Pietra Alcântara

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