sexta-feira, agosto 14, 2020
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Falhas na sinalização de rodovias causam acidentes fatais; Dnit é responsabilizado

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Um trânsito seguro depende da competência e da responsabilidade dos motoristas, mas não é só isso. As condições da infraestrutura das vias também têm relação direta com a segurança. Quando existem falhas na sinalização, as consequências podem ser trágicas.

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No ano passado, o Dnit foi responsabilizado por dois acidentes fatais em rodovias, por falhas de sinalização. Em um, o órgão foi condenado a pagar R$ 49 mil de indenização por danos morais e materiais ao namorado de uma jovem morta em um acidente na BR 101, próximo a Tubarão (SC).

O acidente ocorreu em 2012, quando o motociclista, autor da ação, saiu da rodovia para ingressar na via auxiliar e bateu de frente com um automóvel que vinha na direção contrária. O autor da ação alegou falta de sinalização e iluminação da rodovia.

A ação contou com o depoimento de um policial rodoviário federal, testemunha no processo, que informou que não havia placa de “Pare” na via principal nem na auxiliar.

Também em 2017, o Dnit foi condenado pela morte de um homem que bateu o veículo na traseira de um caminhão que auxiliava no trabalho de manutenção da rodovia.

A inexistência de placas indicativas com a distância de 200 metros e 500 metros antes do local interditado foi apontada como causa do acidente. A família da vítima vai receber indenização por danos morais, e o departamento deverá pagar uma pensão à filha.

 

Sinalização deteriorada

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Segundo balanço da PRF (Polícia Rodoviária Federal), em todo o ano passado, foram registrados 89.318 acidentes nas rodovias federais brasileiras. O número de feridos chegou a 83.978 e o de mortes, a 6.244. A sinalização insuficiente ou inadequada das rodovias foi apontada como a causa presumível de 411 ocorrências, as quais resultaram na morte de 20 pessoas.

Isso faz acender o sinal de alerta, uma vez que a Pesquisa CNT de Rodovias divulgada em 2017 mostra que a sinalização foi o aspecto que mais se deteriorou entre as rodovias federais e estaduais pavimentadas.

No ano passado, 59,2% dos mais de 105 mil km avaliados apresentaram problemas nas placas e nas pinturas das faixas laterais e centrais – em 2016, o índice foi de 51,7%.

Essas últimas, inclusive, eram inexistentes em 21,4% dos trechos, contrariando o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), que veda a disponibilização para o tráfego de rodovias antes de ser implantada toda a sinalização.

A pesquisa também avalia as condições de pavimento e geometria das rodovias. No estado geral, 61,8% das rodovias foram classificadas como regulares, ruins ou péssimas.

Veja também: Dnit possui déficit de R$ 2,9 bilhões em orçamento para manutenção de rodovias

 

Por região

A Região Norte é a que apresenta o pior índice de sinalização do país. Dos 12.863 km analisados, 10.336 km (80,4%) foram considerados regular, ruim ou péssimo.

O Pará é o Estado com a pior situação: 45,7% dos 3.892 km analisados não têm pintura de faixas laterais e centrais; e 65,9% não possuem placas de limite de velocidade.

Em Minas Gerais, Estado que possui a maior malha rodoviária do país, a sinalização foi considerada problemática em 57,8% dos trechos avaliados.

 

O que uma rodovia precisa?

Para Valter Luiz Vendramin, diretor técnico da Absev (Associação Brasileira de Segurança Viária), uma rodovia tem que contar com toda uma estrutura para que possa ser considerada adequada aos usuários. 

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Na visão dele, é inconcebível uma via ser aberta para os condutores sem que esteja plenamente sinalizada. “Para que uma rodovia seja inaugurada, ela deve estar completa. Para que ela seja considerada pronta, a sinalização é parte vital do processo. É necessário planejamento, mas, para isso, é preciso diminuir a burocracia e aumentar os investimentos. Se nada for feito, os índices de acidentes só irão aumentar.”

Em 2017, os mais de 89 mil acidentes rodoviários resultaram em um custo de R$ 11,19 bilhões para o país. O valor é superior ao investimento feito em rodovias em todo o ano passado, que foi de R$ 7,9 bilhões.

No levantamento realizado pela CNT, também foi verificada a existência de pelo menos uma curva perigosa a cada 30.487 km e, em 49,6% dessa extensão, não foram identificadas placas de advertência e nem defensas completas. 

O gerente técnico do ONSV (Observatório Nacional de Segurança Viária), Renato Campestrini, destaca que é certo que ações de vândalos e acidentes contribuem para que a sinalização vertical se mostre deficiente.  No caso da horizontal, ele afirma que somente o fluxo elevado de veículos a desgasta e, portanto, é desejável que as pinturas sejam revitalizadas frequentemente.

Como motorista, você conhece bem a sinalização de trânsito? Sabe o que significa a placa de trânsito com uma seta torta? Clique aqui e confira o vídeo.

 

BR-Legal e manutenção de sinalização nas rodovias

Responsável pela manutenção das rodovias federais, o Dnit desenvolve, desde 2012, o Programa BR-LEGAL, que tem como meta a cobertura de 100% da malha rodoviária federal pavimentada e propõe a manutenção estruturada da sinalização das vias por um período de cinco anos.

Segundo o órgão, o programa já atuou e aprimorou a sinalização de aproximadamente 70% da malha rodoviária federal.  

O Dnit informa ainda que foram feitas intervenções na sinalização horizontal em aproximadamente 7.534 km e, na sinalização vertical, as intervenções chegaram a 11.760 km, além da implantação de dispositivos de segurança (elementos projetados e instalados ao longo de vias, interseções, ramos e acessos) em 5.094 km.

No ano passado, o orçamento do programa foi de R$ 540 milhões. Para este ano, houve redução do montante, e o orçamento previsto é de R$ 500 milhões.

Veja também: 7 dicas para uma viagem segura na estrada.

 

E você que está sempre no trecho, roda por alguma rodovia com falhas na sinalização? Conte para a gente!

 

Adaptado de NTC & Logística

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