terça-feira, outubro 27, 2020
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O que pequenos agricultores e caminhoneiros autônomos têm em comum?

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Um estudo da ONG britânica Oxfam, divulgado nesta semana, mostrou que a concentração do mercado de alimentos está na mão de poucas empresas, o que acaba esmagando os rendimentos de pequenos agricultores. Os dados mostram que ao passo que o faturamento dessas grandes empresas aumentam, a renda de trabalhadores rurais diminui a ponto de alguns até passarem fome.

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O que pequenos agricultores e caminhoneiros autônomos tem em comum?

O estudo aponta que a concentração do mercado se dá em diversas etapas da cadeia de alimentos. Quase 60% do fornecimento de insumos, como fertilizantes e agrotóxicos, é dominado por três multinacionais (Bayer/Monsanto, Dupont-Dow e ChemChina/Syngenta).

No comércio de commodities (matérias-primas) agrícolas, quatro empresas respondem por 70% da receita movimentada (ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus), e 50 fabricantes de alimentos abocanham metade de todas as vendas do setor, de acordo com a Oxfam.

Na ponta final da cadeia, também há dominação de poucas empresas. Na União Europeia, por exemplo, apenas 10 redes de supermercados respondem por mais da metade de todas as vendas de alimentos no varejo.

As distorções são tão profundas, diz a ONG, que o executivo mais bem pago de um supermercado do Reino Unido recebe, em cinco dias, o mesmo valor que uma trabalhadora que colhe uvas na África do Sul ganhará na vida inteira.

Em paralelo, podemos comprar os resultados do estudo ao transporte de cargas, onde grandes empresas, normalmente tradings e embarcadoras, ficam com grande parte do faturamento das operações, reduzindo os rendimentos de caminhoneiros autônomos e transportadoras.

 

‘Pressão implacável’

Segundo a Oxfam, essa concentração faz com que os supermercados tenham cada vez mais poder de impor os seus termos na negociação com os fornecedores. Por um lado, esse cenário é positivo para o consumidor final, que tem acesso a mais produtos e a preços mais baixos. Mas, por outro, esse modelo exerce “uma pressão implacável nos fornecedores para reduzir custos”.

No transporte de cargas, por sua vez, as empresas de grande porte possuem cada vez mais poder para impor pagamentos incompatíveis com as despesas do autônomo, pressionando motoristas para que aceitem fretes defasados. Mudar essa lógica é o objetivo da tabela mínima de frete, que inclusive foi uma das exigências durante a greve dos caminhoneiros, em maio.

Segundo levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística), há uma defasagem de 24,83% nos fretes de carga lotação e de 11,77% em carga fracionada. Essa defasagem é decorrente de diversos fatores como aumento de custos e a redução drástica do volume de carga.

Para que esses fatores não alterem o preço do produto para o consumidor final, muitas empresas reduzem o valor do frete e a tabela veio justamente para evitar essa prática.

De acordo com a defesa da Advocacia-Geral da União, a tabela promove condições razoáveis para que o transporte rodoviário de cargas seja realizado em todo o território nacional, de modo a valorizar o trabalho humano.

Valorização que também é necessária no setor alimentício, uma vez que, segundo a pesquisa da Oxfam, pequenos agricultores passam pelos mesmos problemas de remuneração insuficiente que os caminhoneiros passavam antes da tabela. Para os motoristas autônomos, foi necessária uma paralisação de 11 dias para que esse problema começasse a ser discutido. O que será necessário para os agricultores?

Por Pietra Alcântara com informações do UOL

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