Pessoas com deficiências físicas já podem dirigir de forma profissional há alguns anos. O Jaime Alves inclusive já fez matérias sobre o assunto. Porém a dificuldade é encontrar veículos adaptados para essas pessoas. Seguindo a sua linha de inclusão social, a Iveco apresenta um conceito de ônibus para motorista com deficiência que pode ser realidade logo.

Acessibilidade x inclusão

Fala-se muito hoje em dia em acessibilidade, que é proporcionar à pessoa com deficiência a possibilidade de ir e vir. Porém inclusão é outra coisa. Inclusão é dar a ela essa possibilidade praticamente da mesma forma que uma pessoa sem nenhuma deficiência. Nos transportes de passageiros pelo País, a maior parte dos veículos urbanos, por exemplo, já conta com um local específico para transportar quem está numa cadeira de rodas. Os cadeirantes passam a conseguir usar esses transportes. Isso é acessibilidade.

“Eu já fiz viagens onde o local para cadeirantes era como se fosse o porta-malas da van. Aí passei o caminho todo isolado dos outros passageiros e longe da minha mulher, que teve que se sentar mais para frente.” – Alessandro Fernandes, cadeirante e blogueiro

Mas desde 2016 a Iveco vem buscando outra coisa. Com o lançamento da Daily Elevittá, ela revolucionou a forma de transportar quem tem mobilidade reduzida. Ao invés de um local separado específico para esse passageiro, a Elevittá possui um banco que vai buscar a pessoa lá na calçada e a coloca no furgão juntamente com os demais passageiros. Sem nenhuma distinção. Isso é inclusão.

“Esse conceito faz com que a gente possa viajar no meio dos outros passageiros e perto da nossa família. Isso é muito bom.” – Alessandro Fernandes

No começo de 2017 a montadora aumentou a inclusão com o SoulClass, um microônibus dotado da mesma tecnologia. Agora a ideia é ir além do passageiro e expandir a inclusão para o motorista.

Daily Life

A Iveco apresentou a Daily Life ainda como um veículo conceito, mas com ela abre-se um novo mercado de trabalho para cadeirantes e outras pessoas com mobilidade reduzida. A Daily Life segue o mesmo conceito dos veículos anteriores mas, ao invés de ir buscar o passageiro, ela vai buscar o motorista.

 

Além da poltrona móvel, o furgão teve sua direção adaptada para que todos os comandos sejam acionados com as mãos, seja embreagem, freio ou acelerador.

O blogueiro Alessandro Fernandes testou o veículo e apontou alguns ajustes a serem feitos. Porém se mostrou muito satisfeito com a iniciativa. Segundo a Iveco, como ainda é um veículo conceito, a ideia é exatamente pegar as impressões dos possíveis usuários para melhorar o produto antes de lança-lo para o mercado.

Segundo Alessandro, algumas coisas que podem ajudar são um dispositivo que permita que a poltrona se afaste ou aproxime do volante, uma coluna de direção móvel e uma direção automática. Outra coisa que ainda não ficou resolvida é o que fazer com a cadeira de rodas uma vez que o motorista entrar no veículo. Mas lembrando que a solução não é benéfica apenas para quem é cadeirante, e sim para todos que possuem mobilidade reduzida.

 

Prazo, preço e aplicação

Ônibus para motorista com deficiência
Poltrona sai no ônibus para motorista com deficiência e vai buscá-lo na calçada

A Iveco ainda não tem definida a data de entrada do produto no mercado, mas deve ser ao longo de 2018. O preço também não pode ser cravado, pois segundo Gustavo Serizawa, gerente de marketing da Iveco Bus, cada tipo de dificuldade de locomoção exige um nível diferente de adaptação, o que afeta diretamente o preço, mas segundo ele, uma estimativa geral é um acréscimo entre 20 e 30% no valor do veículo.

A Daily Life foi desenvolvida com base na Daily Minibus, que possui capacidade de 15 ou 18 passageiros, mas segundo Serizawa, como a cabine da Daily passageiros é praticamente a mesma a Daily cargas, a tecnologia pode ser facilmente adaptada tanto para a Daily chassi-cabine quanto para Daily furgão.

Outra vantagem da nova tecnologia é a abertura de um novo mercado de trabalho para quem tem dificuldade de locomoção. E a vantagem é tanto para o trabalhador, que pode pensar em uma nova profissão; quanto para empresas que não conseguem cumprir a cota exigida por lei para contratação de pessoas com deficiência.

E como, infelizmente, o número de motoristas acidentados é grande no Brasil, a nova tecnologia pode ser ainda uma forma desse profissional voltar para a estrada.

Por Paula Toco

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