O Rio de Janeiro passa pela pior crise de segurança pública em mais de uma década, segundo a BBC Brasil. O aumento impressionante no roubo de cargas – que tem afetado não só o Rio de Janeiro, mas todo o país – tornam a cidade cada vez mais perigosa para os estradeiros. Devido à alta de crimes e roubos nas estradas, transportadoras que atuam no Rio passaram a cobrar uma taxa extra – o EMEX (Taxa de Emergência Excepcional) – das empresas que contratam seus serviços. A taxa extra passou a ser cobrada a partir de março deste ano e vem despertando diferentes opiniões sobre o assunto.

O que é a taxa extra?

A taxa EMEX é um valor de emergência cobrado para regiões que se encontram em estado de beligerância, ou seja, situações de conflito violento constante. Sua cobrança é justificada pelo alto custo arcado pelas transportadoras em operações nestas condições.

Esse tipo de taxa extra deve ser cobrado somente até a normalização da segurança pública da cidade. A cobrança vigora atualmente em toda região metropolitana do Rio de Janeiro, para todas as cargas que saem ou chegam. O valor equivale à R$ 10,00 por fração de 100 kg mais um percentual do valor da carga que varia de 0,3% a 1%.

O percentual se soma à Taxa de Gerenciamento de Risco (Gris), que já é embutida em todo o país para cobrir os custos com a segurança. “A Gris é padrão, cobrada em todos os estados, e é usada para cobrir os custos com seguro de carga, escolta, entre outros. Ela já é cobrada há muito tempo”, destaca Urubatan Hellou, vice-presidente da NTC & Logística. Segundo ele, a EMEX aumenta, em média, cerca de 1,5% o valor de cada produto transportado.

Conforme dados oficiais do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP), somente nos dois primeiros meses deste ano foram feitos 1.145 registros de roubos de carga, o que representa um aumento de 180% deste tipo de crime nos últimos quatro anos. Um levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) indica que a cada uma hora e dez minutos um roubo de cargas é registrado no estado.

Mesmo quando as transportadoras roubadas informam onde se encontram os produtos desviados – visto que, segundo a NTC, muitas empresas deixam de registrar ocorrência policial – dificilmente estes são recuperados, o que faz do roubo de cargas uma das principais receitas do crime organizado na cidade.

Para piorar, várias seguradoras já não aceitam mais seguro de algumas cargas para o Rio de Janeiro e as demais só o fazem com franquias que chegam a 50%.

Segundo Marcelo Rodrigues, gerente da 3P Transportes, a “EMEX vem neste momento difícil para suprir os custos adicionais que as seguradoras estão impondo para continuar as operações no Rio de Janeiro”. Dessa forma, se diminui o prejuízo dos transportadores com custos adicionais como escoltas e periféricos adicionais de rastreamento.

Diante deste cenário, algumas instituições planejam tomar medidas para reduzir os prejuízos do setor. É o caso da Asserj (Associação de Supermercados do Rio de Janeiro), que estuda um projeto junto com as autoridades para ajudar a polícia a fazer o combate preventivo e repressivo após a ocorrência desse tipo de crime. “Trata-se de uma parceria público e privado. Estamos conversando com entidades de outros setores – que também são atingidas pela roubo de cargas –  para nos unirmos porque este é um problema multi setorial. Tudo será feito com a chancela do Governo, que está bastante receptivo com a iniciativa”, comenta o presidente executivo da Associação, Fabio Queiróz. “Nossa proposta é arcar com determinados custos que hoje o Estado não está conseguindo arcar”, acrescenta.

Tanto o EMEX quanto esses ‘custos os quais o Estado não consegue arcar refletirão no preço final das mercadorias no Rio, encarecendo produtos em uma das cidades mais caras do país. Mais uma vez, a população pagará pelos anos de má gestão na cidade, que culminaram na situação atual.

 

Por Pietra Alcântara com informações do G1 e NTC & Logística

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