Você já teve que passar por uma espera longa para carregar ou descarregar o caminhão? Ter de aguardar a carga por horas ou dias, além de esperar em lugares sem estrutura adequada, já faz parte da rotina de muitos motoristas.

Relembre: 23 dias sem descarregar – o caso dos caminhoneiros contra a JBS de Jacarezinho

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Mas não deveria ser assim. Recebemos um relato de uma esposa de caminhoneiro, que prefere não ser identificada, sobre esse tipo de espera longa. Ela e o marido estavam carregando para a Yara Fertilizantes e ficaram no Complexo de Rio Grande.

“Da primeira vez, ficamos quatro dias esperando para carregar, na segunda vez, três horas no pátio de triagem e espera e mais oito horas e meia no pátio da própria empresa”, ela relata.

Ainda segundo a mulher, a transportadora agendou o carregamento para o horário das 00h às 6h, o que não foi cumprido. No mesmo dia do agendamento, às 14h30, ela relata que o marido ainda estava aguardando para carregar.

“Meu marido não pode sair do caminhão para ir ao banheiro, fazer comida, nada”, ela complementa.

 

O que diz a empresa

yara unidade rio grande
Imagem: Yara Transportes e Logística/Reprodução

Entramos em contato com a Yara Brasil, que nos enviou uma nota comentando a reclamação de espera longa. Na nota, eles dizem que “o Complexo de Rio Grande está passando por obras de ampliação e modernização e, como em qualquer obra, transtornos podem acontecer”.

Também falam que a gestão do pátio do Complexo está sendo automatizada, com o objetivo de acelerar os carregamentos. “A implantação do novo método entrou em fase de testes em outubro de 2019 e será concluída em junho de 2020”, diz a nota.

Sobre cozinhar no local, eles afirmam que, por ser um ambiente industrial e também uma planta química, não é seguro permitir que os motoristas cozinhem. Porém, a empresa afirma que em caso de atraso os caminhoneiros podem fazer refeições no refeitório da empresa.

No fim da nota, a Yara Transportes ainda diz que a unidade citada possui uma área de convivência para motoristas e seus acompanhantes, além de ter um espaço para crianças.

No próximo domingo, no SBT às 7h da manhã, você acompanha uma reportagem sobre a reclamação.

 

Veja a seguir os recados na íntegra

 

Recado da caminhoneira:

“Somos autônomos, moramos em Pelotas/RS e viemos a Rio Grande, no super porto, para carregar em uma das maiores empresas de fertilizantes do Sul do estado, se não do país.

[A situação] é uma falta de respeito total pelos caminhoneiros que precisam pegar a carga aqui, como até mesmo do consumidor que espera a mercadoria.

Da primeira vez, ficamos quatro dias esperando para carregar, na segunda vez, três horas no pátio de triagem e espera e mais oito horas e meia no pátio da própria empresa.

A transportadora que agenciou o frete nos disse pra carregar ontem, o que não aconteceu, pois a senha era para o horário das 00h às 6h da manhã, para marcarmos a placa para o carregamento.

Às 8h fomos chamados, às 8h30 estávamos no pátio com mais cinco caminhões e agora são 14h30 e ainda não fomos chamados para carregar. Meu marido não pode sair do caminhão para ir ao banheiro, fazer comida, nada! Isso é uma humilhação!

Em anexo, segue minha reclamação para a ANTT, que inclusive tem um posto há 50 km de onde estou. Ainda não obtive resposta.

Espero que esta reportagem vá ao ar. Sei que isso já é corriqueiro, mas pra que existem artigos na lei que falam da espera de mais de cinco horas e do pagamento de diárias se isso não acontece? Já chega os pedágios, que nas notas aparecem como pagos e [na realidade] são descontados do frete. E se reclamar, não carrega mais por aquela transportadora. ”

 

Nota da Yara à imprensa:

“A companhia lamenta o ocorrido e esclarece que o Complexo de Rio Grande está passando por obras de ampliação e modernização e, como em qualquer obra, transtornos podem acontecer. As primeiras unidades misturadoras de fertilizantes entraram em operação em 2019 e as demais estruturas têm previsão de iniciar as atividades até o final desde ano. Como trata-se da implementação de um empreendimento de grande porte, o período inicial apresenta ajustes até seu pleno funcionamento.

Em relação ao pátio do Complexo, a Yara afirma que a gestão está sendo automatizada. A implantação do novo método entrou em fase de testes em outubro de 2019 e será concluída em junho de 2020. O projeto tem o objetivo de agilizar o processo de carregamento, desde o agendamento até a emissão da nota fiscal, fazendo com que a unidade seja uma das mais rápidas para se carregar. As tecnologias adotadas, tanto para a automação do pátio quanto pelas unidades de produção (ainda em obra) e pelas novas unidades de mistura são precursoras na indústria de fertilizantes e, por isso, estão passando por uma curva de aprendizagem, o que pode gerar atrasos pontuais no carregamento de produtos.

A empresa ressalta que, em função da unidade de Rio Grande ser um ambiente industrial e, também, uma planta química (que tem processos de acidulação e granulação), não é seguro permitir que os motoristas cozinhem. Contudo, em situações que de atrasos, os motoristas são convidados a fazerem suas refeições no refeitório da empresa.

A unidade oferece banheiros e área de convivência aos motoristas e seus acompanhantes, além de ter um espaço Kids para aqueles que estejam com filhos. Contudo, nas áreas industriais, a circulação precisa ser restrita para preservar a segurança do próprio motorista. De qualquer forma, o local possui banheiros disponíveis, caso haja necessidade.

Sugestões e críticas são importantes para que a Yara possa aperfeiçoar suas práticas internas de segurança voltadas à preservação da saúde e bem-estar de todos os colaboradores e prestadores de serviços além de oferecer um bom atendimento aos motoristas e clientes que frequentam suas plantas industriais. “

 

Por Pietra Alcântara

2 COMENTÁRIOS

  1. Só conversinha fiada das grandes empresas e os brasileiros que movimentam o país que são os caminhoneiros sempre são mal tratados, greve neles, a maioria vence.

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