sexta-feira, agosto 7, 2020
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Gambiarras no caminhão: o improviso por virar risco sério

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Por Jaime Alves

Na falta de mecânico por perto, quem é que nunca fez uma gambiarra para terminar a viagem? Que atire a primeira pedra aquele que nunca precisou improvisar uma peça, fazer um remendo, mesmo que coisa pouca. Mas é preciso ter sempre em mente que essa não é uma situação ideal. O melhor é colocar a manutenção preventiva na planilha de custos e deixar o caminhão sempre em ótimo estado para não quebrar na estrada.

Mas entre o ideal e o real há um espaço enorme. Na prática muitos caminhões rodam mais do que necessário com a gambiarra. Ou seja, em vez de procurar logo o mecânico, tem gente que vai deixando o provisório se tornar permanente. Esta afirmação não é respaldada por pesquisa, mas por conversa da reportagem do Pé na Estrada com mecânicos. Um dos motivos seria a falta de dinheiro mesmo, principalmente pelos autônomos.

O mecânico Asmeraldo Rocha Ribeiro, o Bahia do Freio, convive diariamente com a situação precária de milhares de caminhoneiros que frequentam o Terminal de Cargas Fernão Dias, em São Paulo. Questionado se gambiarra boa não pode faltar o tradicional arame, ele afirma: “Tem caminhão aqui que você tira quilos de arame.”

A reportagem pede para ele mostrar. “É só andar aí”. A gente acompanha e para em um antigo Scania 113. Para começar, estava com a bateria amarrada, mas ao abrir o capô do motor é que vimos outras gambiarras. Baia do Freio vai enumerando: cabo do acelerador com arame, freio motor também improvisado com arame, base da bomba do compressor quebrada e “remendada” com arruela.

Gambiarra no freio: perigo maior

Os motoristas que entrevistamos reconhecem que já fizeram gambiarra, mas depois da emergência pararam na oficina. “Tem coisa que fica boa, dá até dó de desmanchar”, diz, em meio a risos, o caminhoneiro Sebastião Nunes Dourado, o Tião Galinha, de Guarulhos (SP). “Mas não pode”, afirma ele em seguida.

Tião e outros estradeiros ouvidos pelo Pé na Estrada afirmaram que jamais deixaram um arame virar peça permanente, pois reconhecem os perigos. Entre eles, há o risco de a gambiarra quebrar e o resultado ser pior, como danificar outras peças, aumentando o prejuízo, ou mais grave ainda, provocar acidente.

Uma das gambiarras mais comuns é isolar um freio da carreta. O sistema perde eficiência e precisa ser reparado com urgência. Foi o que fez Joel Cordeiro Flores, de São Paulo. A cuíca quebrou poucos quilômetros do pátio da transportadora, mas era noite e precisou fazer a gambiarra. “Voltei para a transportadora. No outro dia consertamos e segui viagem pro Belém”, diz.

Assista matéria sobre o tema.

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