A Confederação Nacional do Transporte (CNT) acaba de lançar um estudo sobre o estado das estradas brasileiras e o Pé na Estrada conferiu o que a Pesquisa CNT 2017 releva sobre as rodovias. A confederação tem uma série de estudos publicados sobre o estado das rodovias em todo o Brasil e é por meio desse tipo de pesquisa que entendemos questões como o por quê das rodovias pavimentadas durarem tão pouco no Brasil ou que as primeiras 20 melhores estradas do país são as concessionadas. 

pesquisa cnt 2017

É importante lembrar que a pesquisa abrange as rodovias pavimentadas, que representam apenas 12,3% das estradas do país. Confira alguns aspectos sobre as rodovias brasileiras revelados pela Pesquisa CNT 2017:

Qualidade das estradas

Pesquisa CNT 2017

Neste ano, as notícias não são boas. A pesquisa revela que houve queda na qualidade do estado geral das rodovias abrangidas. A classificação regular, ruim ou péssima representa 61,8%, enquanto em 2016 esse índice era de 58,2%. Em 2017, 38,2% das rodovias foram consideradas em bom ou ótimo estado, enquanto um ano atrás esse percentual era de 41,8%. Em relação à qualidade do pavimento, a pesquisa indica que metade apresenta qualidade regular, ruim ou péssima. Em 2016, o percentual era de 48,3%.

Sinalização

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A sinalização foi o aspecto que mais se deteriorou. Em 2017, o percentual da extensão de rodovias com sinalização ótima ou boa caiu para 40,8%, enquanto no ano passado 48,3% haviam atingido esse patamar. Neste ano, a maior parte da sinalização, 59,2%, foi considerada regular, ruim ou péssima.

Geometria da via

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Já a geometria da via, outro quesito avaliado pela CNT, manteve o mesmo resultado do ano passado: 77,9% da extensão das rodovias tiveram sua geometria avaliada como regular, ruim ou péssima e apenas 22,1% tiveram classificação boa ou ótima. A geometria se refere a características de traçado da estrada, como curvas e inclinação da pista, por exemplo.

Como isso afeta o setor de transporte?

Pesquisa CNT 2017

O transporte rodoviário é o principal modo de transporte de passageiros e cargas no Brasil e por isso, depende totalmente da malha rodoviária do país. As empresas de transporte rodoviário e transportadores autônomos de carga são responsáveis por 52,6% do PIB do transporte e por isso são os primeiros a sentir os impactos negativos de uma malha rodoviária de baixa qualidade, que comprometem as operações, elevam custos e reduzem a segurança.

A qualidade geral das rodovias e, principalmente, a condição do pavimento têm impacto direto no custo operacional dos transportadores. Com a piora da qualidade das rodovias, o custo operacional estimado subiu para 27,0%, comparados com os 24,9% referentes à 2016.

Entre 2004 e 2017, o percentual de rodovias sob gestão pública federal avaliadas como Ótimo ou Bom teve incremento de 20,1 pontos percentuais. Entre 2016 e 2017, contudo, houve queda de 3,9 pontos percentuais, evidenciando a dificuldade enfrentada pelo país no objetivo de adequar a infraestrutura de forma célere e de mantê-la em boas condições. É relevante considerar que a característica Sinalização, que vinha apresentando melhorias consecutivas, teve o pior resultado em 2017: queda de 7,9 pontos percentuais na avaliação positiva em relação a 2016.

Desempenho de veículos

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As condições das rodovias podem influenciar significativamente o desempenho dos veículos e a sua eficiência energética. No tráfego em vias de baixa qualidade, fica mais difícil manter a velocidade, o que aumenta as frenagens e acelerações e, consequentemente, o gasto com combustível. Somados a isso, o desgaste excessivo de componentes como pneus, suspensão, freios, etc e o maior risco de acidentes ocasionam o aumento dos custos do transporte, além de diversos prejuízos para o país, não só sob a ótica econômica, mas, também, socioambiental.

Há também o aumento do consumo de diesel. Esse tipo de combustível predomina como fonte de energia, representando 43,9% do consumo energético dos transportadores, seguido da gasolina e do etanol. Estima-se que, apenas em 2017, o setor de transporte tenha um consumo desnecessário de 832,30 milhões de litros de diesel. Esse desperdício custará R$ 2,54 bilhões aos transportadores. O cálculo é feito com base nas inadequações encontradas no pavimento.

O preço do diesel tem aumentado nos últimos meses, deixando muitos motoristas, profissionais ou não, insatisfeitos. Fica difícil economizar quando a qualidade das rodovias aumentam o consumo de diesel que, por sua vez, tem alta constante nos preços.

 Confira a pesquisa completa aqui.

E você, concorda com as avaliações da CNT? Para quem roda todo o dia pelas rodovias brasileiras, quais são os problemas encontrados no caminho?

Por Pietra Alcântara

 

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