sexta-feira, setembro 24, 2021

Situação de caminhoneiros está difícil, mas adesão à greve ainda é incerta

Embora os motoristas de fato estejam insatisfeitos com o aumento do preço do diesel que não é repassado ao frete, a adesão à greve do dia 25 de julho ainda é incerta em diversas regiões. Muitos motoristas afirmam que a paralisação de 2018 beneficiou mais os empresários que os autônomos, outros se mostram céticos com benefícios vindos de uma mobilização.

O que dizem os sindicatos e confederações?

O CNTRC, Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas, é uma das instituições que está convocando a greve. Segundo seu presidente, Plínio Dias, as reivindicações já foram entregues ao governo, que não respondeu ou atendeu aos pleitos.

Em entrevista ao Poder 360, Plínio afirmou: “O ministro deveria sentar e conversar com a gente. Ninguém quer guerra com ele. A pauta não é politicagem, é o transporte. Se tivéssemos uma boa conversa, não iríamos parar o país, mas o ministro não quer falar, não reconhece a entidade”.

Outra entidade que apoia a paralisação é a CNTTL, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística. Carlos Litti, representante da confederação, afirmou em entrevista ao InfoMoney que eles orientam a participação de autônomos e inclusive de quem trabalha regime CLT. Além disso, destacou em outra entrevista que, para quem tem caminhões mais antigos, o custo do diesel já chega a 60% do frete. Litti compara a situação a de um trabalhador comum. Seria como se um trabalhador gastasse 60% de seu salário com o transporte para o trabalho.

No entanto, outras entidades de peso no setor ainda não declararam apoio, mas também não se colocaram contra uma nova paralisação. É o caso da CNTA, Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, que afirmou ao Pé na Estrada: “A prerrogativa e legalidade de se realizar uma paralisação é um direito do caminhoneiro e formalizada através de assembleia nos sindicatos.  Até o presente momento, não temos conhecimento de tal iniciativa por parte de sindicatos ligados ao sistema da nossa Confederação.”

A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, Abrava, através de seu presidente, Wallace Landim, conhecido como Chorão, informou à nossa reportagem que, embora a situação não esteja fácil, a Associação precisa agir com responsabilidade: “Nós estamos sim a beira do abismo. Um movimento errado acaba de matar a categoria”. Ele afirma também que não concorda que a categoria levante sozinha a bandeira do problema dos combustíveis, que essa deveria ser uma demanda de diversos setores da sociedade. Entretanto, ele também afirma: “Realmente não tá fácil não. Tá caminhando para uma possibilidade sim.”

Adesão à greve é incerta entre motoristas também

Em diversos grupos de caminhoneiros no Whatsapp e Facebook consultados pela reportagem, as opiniões variam muito:

Eu sou a favor hoje amanhã e sempre

Eu sou contra pois se parar daí vamos quebrar de verdade, como vamos pagar a prestação o seguro as manutenções? Eu tenho contas fixas todo o mês. Daí tô ferrado

Em meus 40 anos de profissão nunca vi uma greve dar certo

Eu apoio. Já passou do tempo. Já era pra ter parado tudo há muito tempo. O óleo aqui pra nos na Bahia já tá custando 4,99

Preço do diesel

Toten mostra preços do diesel em posto
Imagem: Grupo de Whatsapp BR 101 os qualificados do Nordeste

O preço do diesel sempre é a grande questão nas mobilizações da categoria. Foi assim em 2015, quando o preço nem era alinhado ao barril do petróleo ainda. Foi assim em 2018, quando o valor do diesel estava abaixo de R$ 3,00. E tem sido assim nas ameaças de greve desde então.

A questão é que o valor do diesel deveria ser coberto pelo frete e o medo de muitos é, se baixar o combustível, o frete baixar junto. Não é à toa que, dentre as pautas de reivindicação, estão a constitucionalidade da lei do piso mínimo, que está parada no STF há anos, o aumento da fiscalização e punição às empresas que não cumprem essa lei e o fim da paridade do diesel com o preço do barril de petróleo no mercado internacional.

Veja também: Nordeste e Sudeste lideram altas do preço do diesel no país

E aí, vai ou não ter greve?

Embora a adesão à greve ainda seja incerta e o movimento não pareça tão forte quanto em 2018, as condições estão cada vez mais parecidas com as daquele ano. As dificuldades de autônomos e agora também de empresas começam a dar sinais de esgotamento, por isso, uma greve pode mesmo estar se avizinhando.

Não é possível ter certeza se ela vai acontecer ou se será agora, dia 25, dia de São Cristóvão, padroeiro dos motoristas, ou num futuro próximo, mas o fato é que a situação do transporte é grave.

Em 2018, o então governo de Michel Temer demorou para entender a gravidade da situação e para tomar providências uma vez que a greve estava instalada. O atual governo tem uma relação mais próxima com a categoria, entretanto, isso não assegura que novas paralisações não voltem a acontecer.

Por Paula Toco

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Não vai ter greve. A classe está desunida. Já deveriam ter parado a muito tempo. Não há nenhum político engajado no movimento, por isso não há investimento na paralisação.

  2. Como que a greve vai dar certo, se a primeira coisa que o povo faz, é correr para os postos de combustíveis e encher o tanque dos carros? Correr para os mercados e encher as dispensas de alimentos. Precisamos do povo brasileiro, para a greve dar certo e isso , não vai acontecer nunca, pois é cada um olhando somente para o seu umbigo, infelizmente. Galera, sou caminhoneiro e amo a minha profissão, mas é muita gente, querendo fazer nome em cima da nossa classe. Minha opinião.

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