Qual o limite para o uso de câmeras dentro da cabine?

cabine

A telemetria, tecnologia capaz de medir e monitorar caminhões em tempo real com o objetivo de melhorar e otimizar operações, tem se tornado cada vez mais comum para transportadoras, já que o monitoramento de frota promete reduzir custos e identificar problemas comportamentais nas operações.

Esse tipo de monitoramento envolve desde dispositivos que identificam problemas no funcionamento do caminhão, até vícios do próprio motorista que causam desgaste prematuro do veículo, o que pode ser identificado por meio de sensores e câmeras na cabine.

Mas essa tecnologia visa realmente ajudar o motorista a fazer seu trabalho da melhor forma possível ou serve apenas para apontá-lo como culpado e desvalorizar ainda mais a profissão?

Esse assunto é muito comentado pelos parceiros do trecho e um deles falou justamente sobre isso durante uma live pelo Facebook do Pedro Trucão. O parceiro Marcos André pergunta:

A firma em que eu trabalho “encheu” a cabine do caminhão de câmeras. Por um lado, é bom para a segurança do motorista, caso ele seja roubado ou em caso de acidentes, para provar que ele não foi o responsável pelo ocorrido. Agora, se você se troca ou dorme no caminhão, isso invade sua privacidade. Qual o limite para o uso de câmeras dentro da cabine?

Marcos, geralmente as transportadoras instalam câmeras na cabide do caminhão para monitorar o comportamento do motorista ao volante. Nesses casos, o objetivo principal é saber se o motorista possui algum vício ao dirigir para que isso seja corrigido.

Sobre privacidade, o gerente de Grandes Contas da ValeCard, Leandro Oliveira destaca que as empresas que oferecem esse tipo de serviço de monitoramento estão cientes dos limites da lei. “Dependendo do serviço contratado, as imagens somente são gravadas e transmitidas quando o caminhão está ligado, visto que o objetivo não é espionar o motorista e sim compreender sua maneira de dirigir”, ele completa. Geralmente as imagens gravadas não registram sons, devido à questões jurídicas e para preservar a privacidade do motorista. 

Quando falamos em correção, muita gente imagina que se trata de uma punição para o motorista ou até mesmo algum tipo de ameaça. Mas o primeiro ponto que queremos destacar é que, se a empresa realmente quiser usar esses dados para reduzir custos e melhorar as operações, demitir motoristas não é a solução.

Segundo Rubens Pessoa Jr, professor na Fabet, o custo de se demitir um motorista que apresenta determinados vícios ao dirigir é alto. “Investir em instrução e orientação para que o motorista abandone maus hábitos ao volante vale muito mais a pena para a transportadora quando pensamos a longo prazo”, explica.

Além disso, saiba que você está protegido juridicamente contra imagens que podem ser usadas contra você. Isso graças ao princípio da não auto-incriminação, que afirma que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Segundo o professor da Fabet, caso uma transportadora venha a demitir um motorista por justa causa usando informações coletadas por meio de câmeras na cabine e outros dispositivos de monitoramento, ela pode enfrentar problemas na justiça por ferir esse princípio.

De acordo com o professor, o motorista ainda tem o direito de ter acesso às informações coletadas que dizem respeito a ele mesmo. Por isso, caso a empresa em que você trabalha venha a implementar esse tipo de monitoramento, você pode e deve ter acesso aos dados. Isso, inclusive, pode te ajudar a melhorar como motorista. Para Rubens, a empresa que não repassa os dados coletados ao motorista está “desperdiçando informações”.

E você, também tem alguma dúvida sobre o trecho? Fique ligado e acompanhe nossas transmissões ao vivo pela fanpage do Pé na Estrada no Facebook, todas as terças-feiras às 12h30 e as quintas-feiras na página de Pedro Trucão também às 12h30.

Por Pietra Alcântara

 

 

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